Ambientalistas
entregarão dossiê à PF na segunda-feira
Desde
que a Operação Marambaia foi deflagrada, no último
dia 29, a Polícia Federal (PF) tem recebido denúncias
de várias pessoas ligadas ao movimento ecológico,
informando sobre possíveis crimes ambientais e licenças
que teriam sido concedidas irregularmente
Construção
de resorts e complexos hoteleiros sobre dunas, obras que causam
aterramento de lagoas e riachos, destruição de sítios
arqueológicos. É extensa a lista de crimes ambientais
que fazem parte de um dossiê elaborado por representantes do
movimento ecológico no Ceará. O grupo de ambientalistas
pretende entregar o documento à Polícia Federal (PF) na
próxima segunda-feira. O relatório pode auxiliar no
trabalho da equipe da PF que investiga, na chamada Operação
Marambaia, a concessão irregular de licenças ambientais
em áreas de preservação do Estado.
"Faz
tempo que o movimento ecológico denuncia essas
irregularidades. Para mim, não foi nenhuma surpresa essa
operação", comenta a professora da Universidade
Federal do Ceará (UFC) e coordenadora de Meio Ambiente da
Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB),
Vanda Sales, que participou da elaboração do dossiê.
No documento, ela cita, entre outras irregularidades, uma obra, na
Praia do Futuro, que tem provocado o "desmonte de dunas fixas,
mediante o desmatamento da cobertura vegetal (...) e a remoção
de areias".
A ambientalista lembra que, nesse caso da
Praia do Futuro, uma licença ambiental concedida pode ser
considerada irregular porque o Conselho Nacional do Meio Ambiente
(Conama) classifica as áreas onde ficam as dunas como de
preservação permanente. "Ações
desordenadas e ambientalmente perversas, na maioria infligindo
legislação ambiental federal, estão
transformando as dunas em mercadoria de consumo, sem levar em conta
sua importância ecológica, paisagística",
escreve o professor do Departamento de Geografia da UFC, Jeovah
Meireles, que também assina o dossiê.
Ainda na
Capital, o relatório lembra casos de empreendimentos que
conseguiram licença ambiental em áreas de rios, riachos
e córregos, considerados Áreas de Preservação
Permanente (APPs), segundo o Código Florestal Brasileiro. Em
um dos casos, segundo os ambientalistas, o riacho teve o seu canal
central desviado e parte do leito aterrada para que o empreendimento
pudesse ser realizado. No dossiê, os ambientalistas também
analisam casos de impactos ambientais negativos em outras cidades,
como Aracati, Camocim, Acaraú, Itapipoca, Trairi, Paracuru,
Aquiraz, Beberibe e Cascavel.
Em Aracati, é citado um
empreendimento que poderá trazer danos ambientais em uma APP
porque demanda "remoção de grandes volumes de
areia" e "atividades de terraplanagem". De acordo com
a assessoria da PF, desde que a Operação Marambaia foi
deflagrada, no último dia 29, o órgão tem
recebido várias denúncias de pessoas ligadas ao
movimento ecológico. Ainda segundo a assessoria, todas as
informações recebidas serão analisadas pela
equipe da PF responsável pelo caso.
E-Mais
O dossiê "Degradações, conflitos e
crimes ambientais em Fortaleza e no Estado do Ceará" está
datado de junho deste ano. Além de apontar crimes ambientais,
o documento apresenta diagnóstico sobre a situação
de recursos naturais, como rios, lagoas, dunas e manguezais.
O
principal alvo do dossiê são os órgãos
públicos responsáveis pela temática ambiental: a
Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Controle Urbano de Fortaleza
(Semam), a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace)
e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis no Ceará (Ibama-CE). Os titulares dos três
órgãos foram detidos pela Polícia Federal.
O
relatório é assinado por entidades ligadas ao movimento
ecológico no Estado, como Associação dos
Geógrafos Brasileiros (AGB), Instituto Terramar, Fórum
Cearense do Meio Ambiente (Forcema), Fórum em Defesa da Zona
Costeira do Ceará (FDZCC), Frente Popular Ecológica de
Fortaleza (FPEF) e Movimento SOS Cocó, entre outros.
Em
entrevista coletiva no último dia 29, o superintendente da PF,
delegado Aldair da Rocha, afirmou que vários empreendimentos
imobiliários (todos residenciais) teriam recebido concessões
de licenças ambientais fraudulentas em seis cidades cearenses:
Fortaleza (Praia do Futuro), Caucaia (Cumbuco), São Gonçalo
do Amarante (Pecém), Aracati, Crateús e Guaramiranga.