Brasil
tem exemplos de empresa ecossocial?
O
relatório Roots of Resilience - Growing the Wealth of the Poor
(Raízes da resistência - Aumentando a prosperidade dos
pobres) diz que sim. Ele destaca dois empreendimentos desenvolvidos
no Brasil, um na Amazônia e outro no Nordeste, considerados
exemplos de uso de recursos naturais na melhoria da qualidade de vida
dos pobres. Os empreendimentos aliam conservação
ambiental e geração de renda. O relatório foi
produzido por dois organismos da ONU (Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento/Pnud e Programa das Nações
Unidas para o Meio Ambiente/Pnuma), Banco Mundial, e Instituto de
Recursos Mundiais.
O Relatório defende que "empresas
adequadamente estruturadas podem dar uma força econômica,
social e ambiental que amorteça os impactos das mudanças
climáticas e ajudam a dar a necessária estabilidade
social". Mais, "a deterioração das tendências
ambientais e a estreita conexão entre pobreza e meio ambiente
demonstram a necessidade de impulsionar a renda dos pobres de uma
maneira que ajude a deter, e não a exacerbar, os danos
ambientais. Duas décadas de experiência mostram que
comunidades que se baseiam na gestão de recursos naturais (nas
mãos adequadas e com o suporte apropriado) têm potencial
de cumprir essa meta".
Um dos empreendimentos é a
AmazonLife, produtora de uma espécie de couro vegetal à
base de látex natural, usado na confecção de
itens como bolsas, malas, pastas e chapéus. Os produtores das
peças são co-proprietários da patente do
produto. Em 2006, cerca de 200 famílias forneciam borracha
para o tecido, e a AmazonLife vendia 40 mil folhas de borracha
laminada por ano, a um preço dez vezes superior ao que os
produtores locais recebiam antes. O outro caso é a Valexport,
uma associação que auxilia os agricultores da região
entre Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) a manter sua produção
de melões em alto nível, assim como os preços
para exportação.
O relatório ainda
avalia que há três elementos fundamentais para que o
ecossistema possa beneficiar os pobres: esses devem ter controle de
fato dos recursos naturais, deve haver desenvolvimento de capacidades
(de maneira que as comunidades sejam capazes de administrar os
ecossistemas com competência, conduzir o empreendimento baseado
em recursos naturais e distribuir os lucros de maneira justa) e
estabelecimento de redes entre empresas do setor (para que possam
adaptar-se, aprender e ter acesso a mercados).