Da caatinga para o mundo

O olhar de um cearense sobre as mudanças climáticas

O Autor

Antonio Vogaciano B. Mota Filho

Mini Biografia

Chamo-me Antonio, tenho 18 anos. Sou cearense, curso Administração de Empresas na Universidade Estadual e Ciências Econômicas na Universidade Federal de meu estado.

As mudanças climáticas despertam bastante o meu interesse, pois vejo o quanto elas podem piorar a situação social, já tão crítica, no semi-árido.

Entendo que o problema é imenso complexo e abrangente, mas creio que podemos solucioná-lo se cada um assumir sua parte da responsabilidade e decidir agir.

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Crise financeira

postado domingo, 2 de novembro de 2008 13:28 por vogaciano

O positivo da crise

Manfredo araújo de Oliveira (Filósofo)

    Algumas analistas começaram suas considerações sobre a crise que começou  abalando os mercados financeiros  e já atinge a economia como um todo com  afirmações do tipo: não é o fim do mundo. Isto  se justifica pelo fato de que nas sociedades  modernas o sub-sistema econômico se tornou   uma instância fundamental da vida coletiva  de modo que as pessoas por oportunidade de  crises têm a impressão de que tudo desmorona.  Um elemento positivo deste fenômeno é que  ele obriga as pessoas a refletir sobre o tipo  de mundo que construímos e isto constitui  uma chance de que se levante a pergunta pela  possibilidade de uma outra configuração da vida  coletiva.

    Evidentemente isto depende muito de como  se compreende este fenômeno. O professor  Delfim Neto, por exemplo, defendeu num  debate organizado pela  Folha de São Paulo a  tese de que as crises constituem algo normal  na economia de mercado e inclusive lhe são  úteis. Para ele esta é 46ª crise identificada  e isto é o resultado da forma mesma como  funciona a economia de mercado. A solução  consiste no seguinte: quando aparece uma crise  é necessário procurar suas causas; em seguida  deve acontecer um diálogo entre a teoria  e a realidade a fim de que as causas sejam  corrigidas (a crise dos anos 80 foi produzida  pelo excesso de regulação, esta agora pela  falta de regulação) e o processo produtivo  possa continuar seu curso. No entanto, para  ele quem compreendeu a lógica que rege a  economia de mercado sabe que com a solução  para uma crise, uma outra já está emergindo  e vai explodir mais tarde. O importante nesta  interpretação é de que se trata aqui de um  mecanismo de purificação do sistema que foi  capaz nos últimos 150 ou 200 anos de trazer  a humanidade da Idade da Pedra para a da  Informática.

    Sem dúvida há um elemento correto nesta  leitura: uma economia de mercado não possui  um centro de coordenação e as relações entre  seus participantes vão evoluindo de acordo com  sua dinâmica própria. Neste sentido específico  se fala de anarquia significando ausência de  poder e no mercado o único poder é o poder  dos participantes e competidores. Ora, o  resultado desta competição é em princípio  imprevisível e está sob muitos aspectos sujeito  ao acaso uma vez que os planos privados dos  diferentes competidores são conservados em  segredo o que por princípio torna impossível  uma coordenação prévia. Este mecanismo leva,  então, o mercado a forçar a compatibilização  dos planos privados através da eliminação de  uns e da premiação de outros. Os lances de  todos são dados no escuro, portanto, o risco é  inerente a este sistema. A coisa se torna mais  aguda nos mercados financeiros em que uma  massa de especuladores visa maximizar ganhos  o mais rápido possível. O resultado são seguidos  ciclos financeiros: uma fase de alta em que uma  bolha especulativa vai supervalorizar certos  ativos financeiros seguida por crise, pânico,  quebras, etc.

    Para além do otimismo de Delfim Neto, é  possível levantar algumas questões básicas.  Uma primeira, acentuada na discussão atual, é  a respeito da relação entre Estado e Mercado.  A história recente parece apontar para o fato  de que nem o excesso de regulação nem sua  ausência absoluta conduzem a resultados  satisfatórios. Uma outra questão básica é que  os ciclos de prosperidade recentes se basearam  em fontes de energias poluentes e excluíram  enormes parcelas de população pelo mundo  afora. Isto tudo conduz a uma pergunta mais  radical: não será possível pensar num outro  tipo de sociabilidade em que a economia possa  estar a serviço das necessidades reais das  pessoas? Não é possível pensar uma economia  sob controle social que radique as relações  entre as pessoas na cooperação, partilha,  complementaridade e solidariedade? Não é  possível encontrar um modo democrático e  igualitário de regulação da economia?


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Comentários

Aline

quinta-feira, 13 de novembro de 2008 20:26

Talvez seja possível sim, e é absolutamente necessário, no entanto não é interessante pra maioria. Não porque seja algo ruim em si, mas porque existe grande apatia e inatividade em boa parte das pessoas e isso não é algo pelo qual correrão atrás, penso, e aqueles que realmente teriam poder pra isso simplesmente não vêem como algo interessante. A economia não é feita para as pessoas atualmente, é fato, apenas as tem como uma peça motora absolutamente interessante ao seu crescimento. Ela tem sido feita para uma pequena parcela da humanidade apenas. Parece-me algo ainda distante chegarmos a um estágio em que a economia funcione como na indagação do professor Manfredo Araújo, mas ainda não é impossível, certo?
Muitas coisas interessantes e dignas de reflexões mais aprofundadas foram colocadas por ele, realmente, poderia comentar inúmeras coisas a respeito e não seria o suficiente para fazer juz a tudo.
No mais, parabéns pelo seu trabalho, Vogaciano. Espero que ele torne-se cada vez mais parte de sua vida e que você não desista dele de forma alguma, pois em pessoas como você que podemos enxergar claramente que ainda existem chances do mundo entrar nos eixos, que ainda há esperança. A questão ambiental é digna de atenção muito superior a que recebe e o seu trabalho sem dúvida acaba por ter ação inspiradora nos que acabam por conhecê-lo.

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