Da caatinga para o mundo

O olhar de um cearense sobre as mudanças climáticas

O Autor

Antonio Vogaciano B. Mota Filho

Mini Biografia

Chamo-me Antonio, tenho 18 anos. Sou cearense, curso Administração de Empresas na Universidade Estadual e Ciências Econômicas na Universidade Federal de meu estado.

As mudanças climáticas despertam bastante o meu interesse, pois vejo o quanto elas podem piorar a situação social, já tão crítica, no semi-árido.

Entendo que o problema é imenso complexo e abrangente, mas creio que podemos solucioná-lo se cada um assumir sua parte da responsabilidade e decidir agir.

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Ousemos usar o coração!

postado sábado, 29 de novembro de 2008 8:15 por vogaciano
LEONARDO BOFF
Resgatar o coração

[03 Agosto 00h25min 2007]

Seguramente, a crise ecológica global exige soluções técnicas, pois podem impedir que o aquecimento global ultrapasse dois graus Celsius, o que seria desastroso para toda a biosfera. Mas a técnica não é tudo nem o principal. Parafraseando Galileo Galilei, podemos dizer: "A ciência nos ensina como funciona o céu, mas não nos ensina como se vai ao céu".

Da mesma forma, a ciência nos indica como funcionam as coisas, mas por si mesma, não tem condições de nos dizer se elas são boas ou ruins. Para isso, temos que recorrer a critérios éticos aos quais a própria prática científica está submetida. Até que ponto, apenas soluções técnicas equilibram Gaia a ponto de ela continuar a nos querer sobre ela e ainda garantir os suprimentos vitais para os demais seres vivos? Será que ela vai identificar e assimilar as intervenções que faremos nela ou as rejeitará?

As intervenções técnicas têm que se adequar a um novo paradigma de produção menos agressivo, de distribuição mais equitativa, de um consumo responsável e de uma absorção dos rejeitos que não danifique os ecossistemas. Para isso precisamos resgatar uma dimensão profundamente descurada pela modernidade. Esta se construiu sobre a razão analítica e instrumental, a tecnociência, que buscava, como método, o distanciamento mais severo possível entre o sujeito e o objeto.

Tudo que vinha do sujeito como emoções, afetos, sensibilidade, numa palavra, o pathos, obscurecia o olhar analítico sobre o objeto. Tais dimensões deveriam ser postas sob suspeição, serem controladas e até recalcadas. Ocorre que a própria ciência superou esta posição reducionista seja pela mecânica quântica de Bohr/Heisenberg seja pela biologia à la Maturana/Varela, seja por fim pela tradição psicanalítica, reforçada pela filosofia da existência (Heidegger, Sartre e outros).

Estas correntes evidenciaram o envolvimento inevitável do sujeito com o objeto. Objetividade total é uma ilusão. No conhecimento há sempre interesses do sujeito. Mais ainda, nos convenceram de que a estrutura de base do ser humano não é a razão, mas o afeto e a sensibilidade.

Daniel Goleman trouxe a prova empírica com seu texto A Inteligência Emocional que a emoção precede à razão. Isso se torna mais compreensível se pensarmos que nós, humanos, não somos simplesmente animais racionais, mas mamíferos racionais. Quando há 125 milhões de anos surgiram os mamíferos, irrompeu o cérebro límbico, responsável pelo afeto, pelo cuidado e pela amorização.

A mãe concebe e carrega dentro de si a cria e depois de nascida a cerca de cuidados e de afagos. Somente nos últimos 3-4 milhões de anos surgiu o neocórtex e com ele a razão abstrata, o conceito e a linguagem racional.

O grande desafio atual é conferir centralidade ao que é mais ancestral em nós, o afeto e a sensibilidade. Numa palavra, importa resgatar o coração. Nele está o nosso centro, nossa capacidade de sentir em profundidade, a sede dos afetos e o nicho dos valores. Com isso não desbancamos a razão mas a incorporamos como imprescindível para o discernimento e a priorização dos afetos, sem substitui-los.

Hoje, se não aprendermos a sentir a Terra como Gaia, não a amarmos como amamos nossa mãe e não cuidarmos dela como cuidamos de nossos filhos e filhas, dificilmente a salvaremos. Sem a sensibilidade, a operação da tecnociência será insuficiente. Mas uma ciência com consciência e com sentido ético pode encontrar saídas libertadoras para nossa crise.

Leonardo Boff, da Comissão da Carta da Terra, é teólogo.

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Justiça e ecologia

postado sábado, 29 de novembro de 2008 8:14 por vogaciano
Por um judiciário mais ecológico

"Queremos uma justiça social que combine com a justiça ecológica. Uma não existe sem a outra",Leonardo Boff

Antônio Sales Rios Neto
engenheiro


[18 Agosto 13h55min 2007]

A assertiva acima do teólogo Leonardo Boff é de uma profundidade imensa e muito oportuna aos debates em torno da questão ambiental, que se tornaram prioridade na sociedade contemporânea. Daí vem um questionamento: mas o que é que o Poder Judiciário tem a ver com o aquecimento global? Muito mais do que imaginamos. Vou tentar responder, na medida do possível, em bases científicas.

A questão ecológica tornou-se tão relevante, dada a sua gravidade, que este campo de estudo acabou se diversificando. Comporta várias dimensões. Uma é a Ecologia Organizacional, que entende as organizações (empresas e instituições) como entidades auto-organizantes e em contínua evolução. Outra é a Ecologia Profunda, de Fritjof Capra, que vê o homem como parte da natureza, inserido em seus processos cíclicos. Também há a Ecologia de Redes, que considera o acoplamento e a interdependência entre os diversos níveis de organização. A proposta aqui é investigar o Poder Judiciário sob estes três prismas.

Antes, um pouco de história sobre a relação entre ciência e cultura para entendermos melhor a crise ambiental, que na verdade é parte de uma crise maior e mais profunda. Ou, o que muitos cientistas chamam de crise de percepção da realidade. O biólogo e antropólogo Gregory Bateson disse: "A fonte de todos os problemas de hoje é o hiato entre como pensamos e como a natureza funciona". De fato, é o que as grandes revoluções científicas do último século estão demonstrando: que estamos vivendo no paradigma errado.

Este tal paradigma teve início quando, não se sabe bem o porquê, a cultura patriarcal (favor não confundir com machismo) se instalou há aproximadamente sete mil anos entre os povos indo-europeus, segundo estudos arqueológicos. Este evento é considerado o marco inicial do longo processo de moldagem da mente humana pelo modelo mental linear ou cartesiano (aquele que privilegia o lado esquerdo do cérebro - racional, lógico, objetivo, repetitivo etc. e subestima o lado direito - emoção, intuição, subjetividade, criatividade etc).

Esta cultura patriarcal tem como principal característica a idéia de apropriação, ou seja, a vontade de poder e dominação do homem sobre si mesmo, sobre a verdade e sobre a natureza. Foi a partir deste momento que o homem começou a se ver separado da natureza. Antes da cultura patriarcal havia uma cultura chamada matrística (não confundir com matriarcal), caracterizada pelo espírito de participação, interatividade, confiança e convivencialidade - vivia altamente integrada com a natureza.

Este modelo mental linear começou a ser sistematizado há 2.500 anos por Aristóteles, Parmênides, Platão e outros pensadores gregos, fazendo surgir a ciência. Muito tempo depois, este modelo foi consolidado pela ciência moderna, durante o século XVII. Dentre seus formuladores, os que tiveram maior expressão foram o físico Isaac Newton e o filósofo René Descartes, os quais conceberam a idéia de que existia uma realidade única e objetiva, independente da nossa vontade (que provoca frases do tipo: "Já estava assim quando eu cheguei" ou "as coisas são assim mesmo, desde que o mundo é mundo").

O universo, segundo estes pensadores, é uma máquina (daí o termo mecanicismo - paradigma newtoniano-cartesiano). E foi assim que a administração científica (Taylor e Fayol) montou o sistema produtivo da era industrial - como as pessoas deveriam se encaixar nas organizações: o chefe (que sabe) manda e os "recursos humanos" (recurso não pensa) obedecem. Para manter este modelo, o sistema educacional teve um caráter meramente adestrador e utilitarista, uma "educação bancária" como definiu Paulo Freire.

Este modelo hediondo culminou, em meados do século XX, com a criação do sistema capitalista globalizado. No fim do século XX, com o crescimento da economia, entramos na era do capital. Hoje o universo é um grande mercado, onde nós seres humanos fomos reduzidos a tubos de consumo-digestão-excreção. Este modelo é hediondo porque é excessivamente competitivo, excludente e predatório. Chegou-se ao ápice do modelo mental linear, ao ponto do filósofo norte-americano Francis Fukuyama declarar o fim da História. Realmente é o fim, mas parece ser o fim de uma longa história da cultura patriarcal, pois Gaia (o superorganismo vivo Terra batizado por James Lovelock) está chegando ao seu esgotamento e vem dando respostas convincentes à incoerência deste modelo. Como diz Leonardo Boff, continuar vivendo neste paradigma é uma atitude genocida e ecocida.

Porém, nos últimos cem anos, concomitantemente aos fatos narrados acima, a ciência estava se reconstruindo. Surgia uma "nova ciência" - Complexidade. Embora grandes pensadores como Sócrates, Heráclito, Pitágoras e outros já houvessem intuído, as novas idéias de mundo começaram com Einstein (teoria da relatividade), depois veio Heisenberg (física quântica), Watson e Crick (estrutura do DNA) e, mais recentemente, Edward Lorenz (teoria do caos), Mandelbrot (teoria dos fractais), David Bohm (ordem implicada), René Thom (teoria das catástrofes), Lotfi Zadeh (lógica fuzzy), o Nobel Ilya Prigogine (estruturas dissipativas), Maturana e Varela (autopoiese), Edgar Morin (transdisciplinaridade) e tantos outros que contribuíram para mostrar que o universo não é tão inerte e linear como se pensava.

Surgia assim o modelo mental complexo que resulta do "abraço" entre o lado direito e esquerdo do cérebro, entre o linear e o holístico, o caos e a ordem. Nas palavras do astrônomo James Jeans, "o universo começa a se parecer mais com um grande pensamento do que com uma grande máquina". O universo, e tudo que há nele, é um sistema complexo (tecido junto - padrão de redes), auto-organizante, instável e neguentrópico (negação da entropia - sistema aberto), portanto, em contínua evolução. Sua única constante é a mudança - verdade com o qual a cultura patriarcal, enraizada há milênios, tem uma enorme dificuldade de conviver. Este modelo mental complexo seria então um resgate daquela cultura matrística, uma tentativa de reintegração do homem consigo mesmo, com os seus semelhantes e com a natureza.

O fato é que a humanidade está vivendo uma mudança de época (mudança de paradigma, segundo o filósofo Thomas Kuhn) onde duas grandes correntes de pensamento estão competindo: a visão mecanicista e econômica, de um lado, e a visão complexa (e ecológica), de outro. Além da ciência, alguns eventos de escala planetária como a Internet, a economia integrada e a globalização, apesar dos seus males, acabam contribuindo naturalmente para esta mudança de paradigma.

Em termos de mudança na área de administração, o exemplo mais expressivo talvez seja as "Organizações de Aprendizagem" de Peter Senge. Em termos de movimentos sociais, temos a turma de Porto Alegre que está tentando educar o pessoal de Davos, mostrando que "um outro mundo é possível" e, acrescento, urgente. Esta parece ser a megatendência: uma comunidade global, interdependente e com crescentes níveis de complexidade e diversidade. Será que a consciência coletiva irá acompanhar este movimento - passar a funcionar conforme a natureza? Tenho esperanças

Feito este preâmbulo, podemos agora falar do nosso sistema judiciário, de uma perspectiva ecologia (e complexa). Comenta-se muito que o judiciário brasileiro está em crise. Diria que houve um desacoplamento: o Poder Judiciário, enquanto sistema, estagnou (ou andou a passos muito lentos) e não acompanhou o supersistema do qual faz parte, a sociedade, que mudou - suas demandas cresceram em complexidade e diversidade. Não conseguimos atender estas novas demandas porque ainda predomina o modelo mental linear em nossas instituições públicas, que hoje se manifesta em suas formas mais virulentas: autoritarismo, corrupção, nepotismo etc. Aqui me associo ao desembargador José Renato Nalini que atribui esta crise, dentre outros fatores, à atual formação do magistrado, "produzido por uma educação positivista, dogmática e formal".

No campo da gestão, onde me sinto um pouco mais seguro para opinar, nossas dificuldades têm a ver com o fato de que, apesar do avanço tecnológico do Poder Judiciário, não houve o correspondente avanço cultural e gerencial em nosso fazer justiça. Não houve a necessária aprendizagem para introdução, em nossas organizações, de novos modelos mentais (mudança cultural) e de técnicas de gestão desta era pós-industrial ou era do conhecimento. Por isso falta coerência nas nossas práticas administrativas frente às ameaças e oportunidades do difícil contexto atual.

O objetivo último da administração pública é o exercício e o usufruto da cidadania. Logo, podemos dizer que o grande negócio do Poder Judiciário é, em última instância, contribuir efetivamente para a consolidação do Estado democrático de direito, embora saibamos que este ideal não compete a uma só instituição, e sim a um complexo de instituições e de toda a sociedade brasileira. Não obstante o avanço tecnológico em muitas instituições do nosso sistema judiciário, esta tão desejada e esperada democracia - aquela que gera cidadãos de fato - parece distanciar-se cada vez mais.

E isto afeta o desenvolvimento social que, por sua vez, afeta o cuidado que se deve ter com o meio ambiente e este retroage sobre toda a cadeia - é a lógica da teia da vida. Neste sentido, vê-se que o fazer justiça não se limita às tarefas de julgar as lides e manter a burocracia institucional, esta última, ressalto, utilizando-se de técnicas de gestão da revolução industrial - fragmentadas, estandardizadas e hierarquizadas. Ou seja, sob esta perspectiva, será que estamos sendo ecologicamente corretos? Se continuarmos na linearidade, a resposta será não. Aliás, estamos na contramão da ciência.

Mas, nem tudo está perdido. Podemos delinear alternativas reais para melhorarmos. O fazer justiça na sociedade complexa em que vivemos requer um pensar e um agir complexo. É o que a ciência vem dizendo nas últimas décadas: tudo no universo é complexidade. Logo, por um Judiciário mais ecológico, sugiro três iniciativas ecologicamente corretas, que se retroalimentam e se complementam:

1 - Ecologia Organizacional: permitir o alvorecer da auto-organização - democratizar o espaço micropolítico que são as instituições. Como sugere o psicólogo Ruy Mattos: "Sendo a sociedade um supersistema constituído por instituições, organizações e grupos sociais, como podemos esperar a democratização do todo sem a democratização de suas partes? Como poderá conviver um governo democrático em sua expressão macro, com um infindável número de feudos organizacionais, com seus "baronatos", "principados" dificultando o exercício da prática e alimentando, no interior de suas fronteiras, a aristocracia e o compadrio como critérios de distribuição do poder administrativo?" Aqui se insere o conceito de democracia organizacional, que faz surgir, por meio de processos dialógicos, lideranças facilitadoras, integrando pessoas e gerando sinergia, cooperação, motivação e criatividade;

2 - Ecologia Profunda: criar espaços de aprendizagem. Trata-se da educação continuada que melhora nossas percepções de mundo, melhora a cultura, permite o autoconhecimento, abre espaço para sairmos da repetição e do isolamento e, assim, começarmos a fazer o novo e, ainda, permite nos sentirmos parte de algo maior e mais significativo que é o trabalho que deve ser realizado pelas instituições judiciárias e nos aproxima mais dos nossos semelhantes - a ética da alteridade;

3 - Ecologia de Redes: como diz o físico Fritjof Capra, "o padrão da vida, é um padrão de redes, capaz de auto-organização". O Poder Judiciário deve então buscar, cada vez mais, aproximar-se e relacionar-se com outras organizações e com a comunidade. Neste caso, estará dando sua parcela de contribuição para a criação de uma rede de cidadania e convivencialidade no tecido social, harmonizando-o com o meio ambiente.

Uma mudança dessa magnitude não é tarefa das mais fáceis, reconheço, é complexa, mas possível (já existem muitos exemplos - o terceiro setor, que vem preenchendo um vácuo deixado pelo Estado, é o maior deles), desde que nós - magistrados, promotores, advogados e demais servidores do judiciário - esvaziemos nossa mente para entrada de novas idéias, valores e crenças e, principalmente, coloquemos sob controle nossa dimensão egóica, aquilo que a cultura patriarcal transformou em artigo de primeira necessidade. Como alerta o psicoterapeuta Humberto Mariotti, "o ego não tem a inocência necessária para aprender com o fluxo da vida". Parece ser esta a mensagem que Gaia está tentando passar para nós, os seus inquilinos.

É, portanto, uma questão de escolha: quem, dentre aqueles que fazem e pensam o nosso sistema judiciário, está disposto a mudar a si para mudar o Poder Judiciário e, assim, mudar o mundo? Por fim, é importante salientar que a intenção deste ensaio não é afirmar que esta percepção individual, portanto limitada, seja a correta, pois a certeza é cega - quanto mais se tem, menos se vê. A intenção é melhorar nossa capacidade de autocrítica e trazer subsídios para buscarmos juntos uma alternativa que satisfaça a todos - Poder Judiciário, sociedade e o nosso ecossistema.

Antônio Sales Rios Neto- graduado em Engenharia Civil e pós-graduado em Consultoria Organizacional pela Universidade Federal do Ceará (UFC), atualmente ocupando um cargo de Analista Judiciário - área administrativa no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará. Blog: http://antoniosales.blogspot.com. E-mail: sales@tre-ce.gov.br.

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Trecho de entrevista de Boff

postado sábado, 29 de novembro de 2008 8:09 por vogaciano

Lendo essa entrevista de Boff para o jornal O Povo, fiquei profundamente instigado. Espero que vocês também fiquem tocados e reflitam sobre esses palavras, com as quais corroboro completamente.

Erotilde - É possível sustentabilidade, ecologia, meio-ambiente, transposição do rio São Francisco, as decisões autoritárias dos governos e do Governo Lula, e o capitalismo? É possível vida digna com o capitalismo?
Boff - Eu acho que o capitalismo é frontalmente incompatível com a ecologia. Qual é a proposta do capitalismo? É explorar, de forma ilimitada, todos os recursos da terra, transformando-os em lucro, em mercadoria. Então, transformou a terra num grande banco de negócios. A biotecnologia não é para melhorar a vida, é para ganhar dinheiro no mercado. Enquanto perdurar o capitalismo - e hoje ele se globalizou - nós vamos ter crises sistemáticas do sistema da vida, o sistema da sociedade. Porque o sistema do capital funciona bem para 1,6 bilhões de pessoas, e nós somos 6,4 bilhões. O capitalismo conseguiu esconder os pobres, tornar a pobreza mundial invisível. Mas ela é tão grande. A escravidão de milhões de crianças no sudeste da Ásia fabricando chips, pequenos rádios, televisões, que são exportados para o ocidente é tão grande que não dá para ocultar. Então, ele tem uma face cruel e sem piedade, uma face desumana. Para concluir, eu diria que o capitalismo não ama a pessoa. Ele ama a força de trabalho, ama o músculo, ama a inteligência, ama a sua capacidade de produção e consumo. Eu acho que esse sistema é o grande causador da crise ecológica e do aquecimento global.

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Marx, um teólogo e crise

postado sábado, 29 de novembro de 2008 8:05 por vogaciano

Leonardo Boff
O pior da crise ainda está por vir?

Hoje não: se não salvarmos a sustentabilidade da terra, não haverá base para o projeto do capital em seu propósito de crescimento

[28 Novembro 01h08min 2008]

Num artigo anterior, afirmávamos que a atual crise, mais que econômico-financeira, é uma crise de humanidade. Atingiram-se os fundamentos que sustentam a sociabilidade humana - a confiança, a verdade e a cooperação - destruídos pela voracidade do capital. Sem eles é impossível a política e a economia. Irrompe a barbárie. Queremos levar avante esta reflexão de cariz filosófico, inspirados em dois notáveis pensadores: Karl Marx e Max Horkheimer.

Este último foi proeminente figura da escola de Frankfurt ao lado de Adorno e Habermas. Antes mesmo do fim da Guerra, em 1944, teve a coragem de dizer, em palestras na Universidade de Colúmbia, nos EUA, publicadas sob o titulo Eclipse da Razão (no Brasil, 1976), que pouco adiantava a vitória iminente dos aliados. O motivo principal que gerou a Guerra continuava atuante no bojo da cultura dominante.

Seria o seqüestro da razão para o mundo da técnica e da produção, portanto, para o mundo dos meios, esquecendo totalmente a discussão dos fins. Quer dizer, o ser humano já não se pergunta por um sentido mais alto da vida. Viver é produzir sem fim e consumir o mais que pode. É um propósito meramente material, sem qualquer grandeza.

A razão foi usada para operacionalizar essa voracidade. Ao submeter-se, ela se obscureceu deixando de colocar as questões que ela sempre colocou: que sentido tem a vida e o universo, qual é o nosso lugar? Sem estas respostas, só nos resta a vontade de poder que leva à guerra como na Europa de Hitler.

Algo semelhante dizia Marx no terceiro livro de O Capital. Aí deixa claro que o ponto de partida e de chegada do capital é o próprio capital em sua vontade ilimitada de acumulação. Ele visa ao aumento sem fim da produção, para a produção e pela própria produção, associada ao consumo, em vista do desenvolvimento de todas as forças produtivas. É o império dos meios sem discutir os fins e qual o sentido deste tresloucado processo.

Ora, são os fins humanitários que sustentam a sociedade e conferem propósito à vida. Bem o expressou o nosso economista-pensador Celso Furtado: "O desafio que se coloca no umbral do século XXI é nada menos do que mudar o curso da civilização, deslocar o eixo da lógica dos meios a serviço da acumulação, num curto horizonte de tempo, para uma lógica dos fins em função do bem-estar social, do exercício da liberdade e da cooperação entre os povos" (Brasil: a Construção Interrompida, 1993, [pág.] 76).

Não foi isso que os ideólogos do neoliberalismo, da desregulação da economia e do laissez-faire dos mercados nos aconselharam. Eles mentiram para toda a humanidade, prometendo-lhe o melhor dos mundos. Para essa via, não existiam alternativas, diziam. Tudo isso foi agora desmascarado, gerando uma crise que vai ficar ainda pior.

A razão reside no fato de que a atual crise se instaurou no seio de outras crises ainda mais graves: a do aquecimento global que vai produzir dimensões catastróficas para milhões da humanidade e a da insustentabilidade da Terra em conseqüência da virulência produtivista e consumista. Precisamos de um terço a mais de Terra. Quer dizer, a Terra já passou em 30% sua capacidade de reposição. Ela não agüenta mais o crescimento da produção e do consumo atuais como é proposto para cada país. Ela vai se defender produzindo caos, não criativo, mas destrutivo.

Aqui reside o limite do capital: o limite da Terra. Isso não existia na crise de 1929. Dava-se por descontada a capacidade de suporte da Terra. Hoje não: se não salvarmos a sustentabilidade da Terra, não haverá base para o projeto do capital em seu propósito de crescimento. Depois de haver precarizado o trabalho, substituindo-o pela máquina, está agora liquidando com a natureza.

Estas ponderações aparecem raramente no atual debate. Predomina o tema da extensão da crise, dos índices da recessão e do nível de desemprego. Neste campo, os piores conselheiros são os economistas, especialmente os ministros da Fazenda. Eles são reféns de um tipo de razão que os cega para estas questões vitais. Há que se ouvir os pensadores e os que ainda amam a vida e cuidam da Terra.

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Evento

postado sábado, 15 de novembro de 2008 11:41 por vogaciano

Fala pessoal,

No fim desse mês vou a Polônia participar da reunião da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mundanças Climáticas. Fui encarregado pelo British Council de divulgar um evento bastante interessante que acontecerá dias 18 e 19 desse mês, a Conferência de Governadores sobre Clima Global, promovida pelo governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger.

Entre os dias 18 e 19 de novembro de 2008, o governador Arnold Schwarzenegger se reunirá com governadores de todos os Estados Unidos e com representantes governamentais de todo o mundo. A iniciativa representa um esforço conjunto para criar uma estrutura para ser usada pelos negociadores das Nações Unidas no encontro de dezembro na Polônia, onde o novo acordo de Mudança Climática global começará a ser preparado.

O gabinete do governador e a televisão da Universidade da Califórnia farão uma transmissão ao vivo do evento, online, para que qualquer pessoa no mundo possa assistir ao evento pela internet. O link para se conectar será www.uctv.tv/climate.
Caso vocês queiram mais informações, vocês também podem conseguir mais alguns detalhes no site do próprio evento em português. http://site.governorsglobalclimatesummit.org/Portuguese_Home.html

Nossa proposta é de que todas pudessem participar virtualmente do evento. Para tanto, vocês só precisam acessar o site da tv da Universidade, fazer o download da versão mais recente do Flash Player e pronto!

Logicamente, por estarem em aula talvez seja um pouco difícil. Mas as reuniões serão gravadas e postas para download posteriormente.

Estou disponível para ajudá-los no que for necessário.

Espero que todos participem,

Antonio.

 

 



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