Da caatinga para o mundo

O olhar de um cearense sobre as mudanças climáticas

O Autor

Antonio Vogaciano B. Mota Filho

Mini Biografia

Chamo-me Antonio, tenho 18 anos. Sou cearense, curso Administração de Empresas na Universidade Estadual e Ciências Econômicas na Universidade Federal de meu estado.

As mudanças climáticas despertam bastante o meu interesse, pois vejo o quanto elas podem piorar a situação social, já tão crítica, no semi-árido.

Entendo que o problema é imenso complexo e abrangente, mas creio que podemos solucioná-lo se cada um assumir sua parte da responsabilidade e decidir agir.

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Evento

postado sábado, 15 de novembro de 2008 11:41 por vogaciano

Fala pessoal,

No fim desse mês vou a Polônia participar da reunião da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mundanças Climáticas. Fui encarregado pelo British Council de divulgar um evento bastante interessante que acontecerá dias 18 e 19 desse mês, a Conferência de Governadores sobre Clima Global, promovida pelo governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger.

Entre os dias 18 e 19 de novembro de 2008, o governador Arnold Schwarzenegger se reunirá com governadores de todos os Estados Unidos e com representantes governamentais de todo o mundo. A iniciativa representa um esforço conjunto para criar uma estrutura para ser usada pelos negociadores das Nações Unidas no encontro de dezembro na Polônia, onde o novo acordo de Mudança Climática global começará a ser preparado.

O gabinete do governador e a televisão da Universidade da Califórnia farão uma transmissão ao vivo do evento, online, para que qualquer pessoa no mundo possa assistir ao evento pela internet. O link para se conectar será www.uctv.tv/climate.
Caso vocês queiram mais informações, vocês também podem conseguir mais alguns detalhes no site do próprio evento em português. http://site.governorsglobalclimatesummit.org/Portuguese_Home.html

Nossa proposta é de que todas pudessem participar virtualmente do evento. Para tanto, vocês só precisam acessar o site da tv da Universidade, fazer o download da versão mais recente do Flash Player e pronto!

Logicamente, por estarem em aula talvez seja um pouco difícil. Mas as reuniões serão gravadas e postas para download posteriormente.

Estou disponível para ajudá-los no que for necessário.

Espero que todos participem,

Antonio.

 

 



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"Neoliberalismo?", "Não, obrigado!"

postado sexta-feira, 14 de novembro de 2008 17:34 por vogaciano
Artigo
O Pesadelo da Sra. Thatcher

Valton de Miranda Leitão

A senhora Margareth Thatcher certamente está tendo terríveis pesadelos desde que a crise mundial do capitalismo se instalou, varrendo como onda gigantesca as bolsas de valores e as organizações financeiras. Quando primeira ministra da Inglaterra "a dama de ferro" aboliu o salário mínimo e decretou o fim da distribuição de leite para as crianças inglesas. Tudo isso em nome do economicismo liberal de F. Hayek que propalava as maravilhas da iniciativa privada e a absoluta incompetência de qualquer intervenção estatal na economia e na vida política. Nunca pensei que viveria esse momento, pois confesso, minha brincadeira predileta é divertir-me com a verdade de que o capitalismo está moribundo na forma perversa financeiro-consumológica. A diversão das pessoas coerentes é a busca do sentimento verdadeiro, mas isso não significa crueldade, mesmo com a elite capitalista que sofre as conseqüências da sua própria insanidade. Ontem fiquei imaginando que a Sra. Thatcher depois de assistir o noticiário da BBC londrina deve ter pensado em voltar para a sua química de origem, pois a ciência política que abraçou com a convicção fanática de que o mercado livre de qualquer regulamentação salvaria o mundo, agora deu com os "burros n'água", usando um pouco do sarcasmo do seu quase compatriota Bernard Shaw. O macio leito da dama de ferro certamente agora sente todo o peso de um sonho de chumbo. A integridade moral da Sra. Thatcher está fora de questão, mas creio que deve andar sonhando com o fantasma de Ronald Reagan e apontando-lhe o dedo dizendo: "está vendo seu maluco em que apuros estamos metidos por acreditar que o mercado era um deus, o George Soros e nós dois os seus corifeus?!" Ao que Reagan responderia: "querida Thatcher sou apenas uma visagem iletrada que acreditou nessa complicadíssima ciência econômica, mas fique tranqüila, dentro em pouco tudo será fantasmagoria!" Nesse momento, o telefone de cabeceira tocou: "Sra. Thatcher, a reunião dos trinta maiores bancos de financiamento do mundo com o FMI virou um pandemônio, todos se entredilaceram, ninguém confia em ninguém, agora estão jogando os cinzeiros, canetas e laptops uns nos outros, foi preciso chamar a polícia!" O marido que acordara sobressaltado disse: "sempre lhe falei que esse negócio de política enlouquecia sua mente e deveria ter ficado com os tubos de ensaio! Agora pare essas conversinhas com banqueiros trapalhões, pois já fiquei farto do seu namoro com o canastrão do Reagan!"

O problema desse pesadelo é seu potencial de contágio, pois pode se espalhar pelo mundo tirando o sono de miliardários, remediados altos e baixos, pobres e miseráveis. A política se exprime na dialética amigo x inimigo, indo da diplomacia à guerra entre povos soberanos, mas igualmente no interior de cada organização, partido ou instituição. Nesse nível psicológico, a decisão política pode se transformar em paranóia grupal. Cada grupo se sente vigiado pelo outro, enquanto os indivíduos mais suscetíveis vêem inimigos por toda parte. O cérebro racional da política desaparece, cedendo lugar ao demônio do inconsciente individual e coletivo. Assim, como pedir crença e confiança nesta guerra onde o terrorismo financeiro é o sujeito que governos do mundo querem salvar? Nessa conjuntura absurda, os terroristas financeiros da elite capitalista devem ser salvos com o dinheiro do contribuinte de classe média e assalariado. É uma espécie de assalto no qual se pede ao assaltado que seja confiante e paciente porque terá seu dinheiro de volta!!! Isso parece indicar o fim do capital global, ao mesmo tempo que denuncia a estupidez da sua lógica consumista. A combinação da compulsão capitalista pelo lucro com ambição e arrogância da banca financeira precisa ser tratada pela política com mão de ferro. Os grandes banqueiros devem comparecer ao banco dos réus e a práxis política deixar de ser tão submissa às suas ordens. O telefone do reitor de Cambridge chamará amanhã: "Sr. Reitor aqui é Thatcher, volto a dar aulas de química na segunda-feira."

Valton de Miranda Leitão
Psiquiatra
vmleitao@terra.com.br

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Economia e ecologia 2

postado segunda-feira, 3 de novembro de 2008 18:30 por vogaciano

'O mundo vive dois dramas: a crise financeira e a climática'

Há 15 dias, a Agência Americana de Oceanos e Atmosfera soou o alarme: a temperatura no Ártico está 5°C acima da média, um recorde que demonstra uma forte diminuição do banco de gelo, provocada pelo aquecimento global. O fenômeno, divulgado em meio a crise econômica americana, preocupa o economista e cientista político alemão Elmar Altvater, de 70 anos. “Nenhum cientista imaginou aumento da temperatura nesse patamar. E todo mundo só fala da crise financeira”, lamenta. Segundo ele, “o fenômeno é tão terrível quanto a questão econômica e ninguém está dando atenção”, completa. Altvater está no Rio até amanhã para uma série de palestras.
A reportagem é de Márcia Vieira e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 03-11-2008.
Não que a crise não seja preocupante. Mas o professor de ciência política da Universidade Livre de Berlim e autor do livro O fim do capitalismo como nós o conhecemos, lançado em 2006, ainda sem edição no Brasil, defende que os governos e a sociedade tenham a mesma atenção com a crise climática. Altvater prega uma mudança radical na produção econômica e no estilo de vida moderno para reverter o aquecimento global. “Não há dúvida que precisamos nos adaptar rápido a um novo tipo de vida. O mundo vive dois dramas: a crise financeira e a crise climática. As duas estão interligadas”, defende Altvater, um estudioso das relações entre economia e ecologia.
Ele defende um sistema de produção baseado no uso progressivo de energias alternativas, não poluentes, como a solar. “O que vai acontecer com o capitalismo depois desta crise ninguém sabe. Mas a única saída para a humanidade é o uso de energias renováveis.” O etanol é uma das possibilidades. Altvater compartilha a opinião de uma corrente de ambientalistas que ataca o uso do etanol porque as plantações de cana-de-açúcar, beterraba, milho e trigo roubam espaço da produção de alimentos.
“Se continuarmos com estilo de vida com base no carro, se nossa arquitetura não se adaptar ao clima de cada região e se não reduzirmos o uso de energia, nosso futuro não será bom. São mudanças que se fazem ao longo de 30 anos. Mas só depende de nós. Nós somos os arquitetos do nosso futuro.”

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Crise financeira

postado domingo, 2 de novembro de 2008 13:28 por vogaciano

O positivo da crise

Manfredo araújo de Oliveira (Filósofo)

    Algumas analistas começaram suas considerações sobre a crise que começou  abalando os mercados financeiros  e já atinge a economia como um todo com  afirmações do tipo: não é o fim do mundo. Isto  se justifica pelo fato de que nas sociedades  modernas o sub-sistema econômico se tornou   uma instância fundamental da vida coletiva  de modo que as pessoas por oportunidade de  crises têm a impressão de que tudo desmorona.  Um elemento positivo deste fenômeno é que  ele obriga as pessoas a refletir sobre o tipo  de mundo que construímos e isto constitui  uma chance de que se levante a pergunta pela  possibilidade de uma outra configuração da vida  coletiva.

    Evidentemente isto depende muito de como  se compreende este fenômeno. O professor  Delfim Neto, por exemplo, defendeu num  debate organizado pela  Folha de São Paulo a  tese de que as crises constituem algo normal  na economia de mercado e inclusive lhe são  úteis. Para ele esta é 46ª crise identificada  e isto é o resultado da forma mesma como  funciona a economia de mercado. A solução  consiste no seguinte: quando aparece uma crise  é necessário procurar suas causas; em seguida  deve acontecer um diálogo entre a teoria  e a realidade a fim de que as causas sejam  corrigidas (a crise dos anos 80 foi produzida  pelo excesso de regulação, esta agora pela  falta de regulação) e o processo produtivo  possa continuar seu curso. No entanto, para  ele quem compreendeu a lógica que rege a  economia de mercado sabe que com a solução  para uma crise, uma outra já está emergindo  e vai explodir mais tarde. O importante nesta  interpretação é de que se trata aqui de um  mecanismo de purificação do sistema que foi  capaz nos últimos 150 ou 200 anos de trazer  a humanidade da Idade da Pedra para a da  Informática.

    Sem dúvida há um elemento correto nesta  leitura: uma economia de mercado não possui  um centro de coordenação e as relações entre  seus participantes vão evoluindo de acordo com  sua dinâmica própria. Neste sentido específico  se fala de anarquia significando ausência de  poder e no mercado o único poder é o poder  dos participantes e competidores. Ora, o  resultado desta competição é em princípio  imprevisível e está sob muitos aspectos sujeito  ao acaso uma vez que os planos privados dos  diferentes competidores são conservados em  segredo o que por princípio torna impossível  uma coordenação prévia. Este mecanismo leva,  então, o mercado a forçar a compatibilização  dos planos privados através da eliminação de  uns e da premiação de outros. Os lances de  todos são dados no escuro, portanto, o risco é  inerente a este sistema. A coisa se torna mais  aguda nos mercados financeiros em que uma  massa de especuladores visa maximizar ganhos  o mais rápido possível. O resultado são seguidos  ciclos financeiros: uma fase de alta em que uma  bolha especulativa vai supervalorizar certos  ativos financeiros seguida por crise, pânico,  quebras, etc.

    Para além do otimismo de Delfim Neto, é  possível levantar algumas questões básicas.  Uma primeira, acentuada na discussão atual, é  a respeito da relação entre Estado e Mercado.  A história recente parece apontar para o fato  de que nem o excesso de regulação nem sua  ausência absoluta conduzem a resultados  satisfatórios. Uma outra questão básica é que  os ciclos de prosperidade recentes se basearam  em fontes de energias poluentes e excluíram  enormes parcelas de população pelo mundo  afora. Isto tudo conduz a uma pergunta mais  radical: não será possível pensar num outro  tipo de sociabilidade em que a economia possa  estar a serviço das necessidades reais das  pessoas? Não é possível pensar uma economia  sob controle social que radique as relações  entre as pessoas na cooperação, partilha,  complementaridade e solidariedade? Não é  possível encontrar um modo democrático e  igualitário de regulação da economia?


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Mercado e meio ambiente

postado domingo, 2 de novembro de 2008 13:27 por vogaciano

Crise financeira internacional afetará o meio ambiente, afirma Marina Silva

Num momento de crise, aumenta o risco da barbárie, porque as pessoas correm para buscar saídas de qualquer jeito, disse a senadora, que considera pequena a possibilidade de haver desaceleração nas atividades madeireiras da Amazônia.

A senadora Marina Silva (PT-AC) disse hoje (31), durante a Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Cultura da Paz (ECO 2008), ter "certeza de que a crise financeira mundial afetará o setor ambiental”.

“Num momento de crise, aumenta o risco da barbárie, porque as pessoas correm para buscar saídas de qualquer jeito”, disse a senadora, que considera pequena a possibilidade de haver desaceleração nas atividades madeireiras da Amazônia.

“A saída dessa crise deve comportar um olhar diferenciado para os ativos ambientais, considerando a sustentabilidade dos ecossistemas e a capacidade de suporte do planeta”, completou.

A ex-ministra do Meio Ambiente defendeu também uma reavaliação do mito de que os processos auto-regulatórios são capazes de dar respostas. “Até porque quando acontece, a crise é jogada no colo do Estado, obrigando-o a resolver o problema, injetando bilhões no sistema. E esses bilhões não caíram das nuvens. Eles vêm do bolso do contribuinte.”

A ECO 2008 termina hoje (31), após contar com a participação de diversos especialistas – entre eles Marina Silva e o atual ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc –, que debateram temas como Paz e Sustentabilidade, Mudanças Climáticas, Energias para o Século 21, Políticas Públicas para o Meio Ambiente, Cidades Sustentáveis, Educação Ambiental, Mídia e Meio Ambiente e Amazônia.

Agência Brasil


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